
Por Luiz Resende- Economista
O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou repetidas vezes durante o primeiro ano do governo Jair Bolsonaro que o preço do botijão de gás poderia cair pela metade. Guedes nunca citou um preço específico, apenas o percentual, mas em junho de 2019, quando fez uma das declarações, o valor médio chegava a R$ 69,24, segundo dados da ANP (Agência Nacional de Petróleo). Metade daria cerca de R$ 35. Entretanto, isso ainda não ocorreu, e o gás de cozinha já é vendido a até R$105 em Mato Grosso e a R$90 em São Paulo.
A ideia de Paulo Guedes era que, com a privatização da Liquigás, que pertencia a Petrobras, haveria mais concorrência no setor, com isso o preço cairia. Mas isso não aconteceu, pois o governo não tomou medidas adicionais para estimular a competição no setor, com a entrada demais companhias.
"Mesmo que houvesse aumento de produção no Brasil, não teríamos queda no preço. Primeiro porque a Petrobras é a única produtora do GLP por aqui, e outra parcela é importada. Além disso, o GLP, matéria-prima do gás de cozinha, é derivado do petróleo, que tem os preços determinados no mercado internacional. Como a cotação é formada no mercado global, nenhuma empresa vai reduzir preço para ter prejuízo” Adriano Pires, analista de energia do CBIE - Centro Brasileiro de Infra Estrutura.
Segundo a Petrobras, o Brasil é importador de GLP e, se reduzir o preço abaixo das cotações internacionais, ficaria diante de duas opções: deixar o mercado desabastecido ou importar a preço mais alto e vender a preço mais baixo. Do total de GLP vendido no Brasil, a Petrobras precisou importar 28% entre janeiro e setembro do ano passado.
O preço do gás varia de acordo com o mercado internacional, em dólar, e com a cotação do dólar em alta, encarece ainda mais o preço no mercado interno.
O presidente da Abragas, entidade que reúne os revendedores de botijão de gás, José Luiz Rocha, afirmou que a Petrobras tem subido o preço do gás de cozinha desordenadamente. Segundo ele, o setor não é competitivo porque a estatal é a única produtora de GLP e existem apenas quatro distribuidoras no mercado. "Estamos na mão de um monopólio na produção do GLP e de um oligopólio entre as distribuidoras. Não temos competição. Essa competição só ocorre no segmento de revendas. E, se o preço do petróleo continuar a subir, a tendência é que o botijão de gás fique mais caro", declarou.
Resta ao governo, a alternativa de criar uma tarifa social para o gás de cozinha como objetivo de diminuir esse impacto no bolso das famílias de baixa renda, a exemplo das contas de energia elétrica. Uma volta do vale-gás ou alguma forma semelhante.







