

As redes sociais se transformaram, para alguns, um território sem lei onde no vale-tudo, assistimos ao absurdo de ver assassinatos de reputação, agressões, pessoas cheias de razão não admitindo o contraditório.
Infelizmente essas ainda possuem seguidores, que podemos classificar como claques, aplaudindo qualquer absurdo publicado, desde que seja por alguém da sua tribo ou algum assunto com o qual ela se identifica.
Vivemos a sociedade do “curtir” “encaminhar” sem a menor preocupação com a leitura, checagem e a consequência desta disseminação de ideias e fatos na sua maioria proveniente de fontes duvidosas.
Não passa de uma replicação de ideias “dos outros” por pessoas que talvez não tenha a capacidade de discutir e enriquecer o debate por absoluta incapacidade de entender o que está escrito ou pela preguiça de ler.
Podemos culpar o péssimo ensino no pais, acredito que esta seja uma das principais causas mas não a única.
No ensino atual, em todos os níveis chegando até nas universidades, os professores apenas repetem, repetem o tempo todo ideias contidas em livros e textos para os alunos, não estimulam o debate, a construção de novas ideias e com isso formamos alunos que não conseguem pensar, sem qualquer criatividade. E assim vamos formando gerações de repetidores de teorias. Como resultado disso - o Brasil nunca recebeu indicação para o prêmio Nobel em nenhuma categoria que envolvesse qualquer tipo de pesquisa de relevância internacional.
Por fim chegamos nesse debate empobrecido gerado nessas redes sociais culminando com o mais cruel dos resultados, a criação de fake News. As Fake News, nada mais são, do que frutos da ignorância desta sociedade, da falta de conhecimento, da desinformação e da dificuldade que as pessoas tem para ler e interpretar um texto, ou pior ainda, na preguiça de se debruçar sobre esse texto, ler até o final e entender que aquilo não tem correlação com a realidade. Segue o primeiro impulso e replica para vários grupos que, por sua vez, fazem o mesmo criando esse ambiente sórdido e repugnante que tanto mal faz a sociedade.
O pior disso tudo é que boa parte dessas pessoas dedicam seu tempo a atacar, criticar, na maioria das vezes com agressividade, outras pessoas cujo pensamento não coaduna com o seu e, em alguns casos destruindo reputações, sem a chance de defesa dessas vítimas.
Esse tipo de comportamento, hoje tão comum, tem explicações cientificas.
As pessoas intolerantes e com tendência a agressividade sempre existiram na nossa sociedade. Lembram-se das cartas anônimas deixadas na madrugada, fofocas replicadas em festas e reuniões de amigos e familiares... Pois é, o mundo modernizou. O que está acontecendo agora é que essas pessoas passaram a ter um canal para se expressarem – as redes sociais, e mantendo o anonimato que sempre agrava e potencializa essa agressividade e, elas estão cada dia mais, ganhando coragem e poder para essas manifestações grosseiras.
Essa maldade inerente ao ser humano pode ser melhor aprofundada no livro “O Efeito Lúcifer – Como as Pessoas Boas se Tornam Más,” de Philip Zambardo,” onde o autor explora muito bem o assunto, mostrando através de pesquisas experimentais com alunos na Universidade de Stanford e com presos em penitenciárias da mesma região nos Estados Unidos, o que leva as pessoas, na sua maioria normais, a cometerem grandes crueldades. Viktor Frankl em seu livro – “O Sentido da Vida,” também aborda este tema mostrando a transformação de personalidade de alguns prisioneiros, alçados a categoria de guardas pelos oficiais nazistas em campos de concentração, quando passaram a tratar com extrema crueldade, maior do que os soldados nazistas, os seus antigos companheiros, prisioneiros também.
Quem faz críticas nas redes sociais, protegidas pelo anonimato e, com essa dose de crueldade, não o faria olhando nos olhos das pessoas, até porque, atrás de um celular ou uma tela de computador, acaba por ganhar coragem, o que na realidade não se caracteriza como uma atitude de coragem, mas de covardia.
O que poderia ser um invento criado para informar está sendo usado para desinformar, levando consequentemente a perda de credibilidade dessas redes como fonte de informação. Pesquisas recentes, realizadas pelos mais conceituados institutos de pesquisa do mundo, atestam que menos de 16% das pessoas confiam nas informações advindas de redes sociais. Péssima notícia para quem fica boa parte do dia dedicando, ou ás vezes, perdendo seu tempo nas redes sociais.
Para concluir vamos recorrer a um pensamento de Goethe:
Falar a verdade e ser fiel a ela, não importa a situação, deve ser a maior prova de caráter, de virtude que existe. É algo para poucos, mas devemos morrer tentando.








