O primeiro debate presidencial de 2026 teve a ausência de três dos seis candidatos convidados pela Band: Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo). A decisão ocorreu em um cenário no qual as pesquisas mostram um eleitorado cada vez menos disposto a mudar de voto até outubro.

Levantamentos recentes do Meio/Ideia, Genial/Quaest e BTG/Nexus apontaram que entre 66% e 78% dos entrevistados já consideram sua escolha definida. O grupo que admite mudar de candidato varia de 20% a 34%.

O cenário favorece principalmente Lula e Flávio, que aparecem entre os líderes das pesquisas e possuem bases eleitorais mais consolidadas. Segundo o BTG/Nexus, 86% dos eleitores de Lula e 82% dos apoiadores de Flávio afirmam estar decididos.

Para Zema, a ausência representa uma aposta maior. O eleitorado do governador apresenta maior possibilidade de mudança, o que poderia tornar o debate uma oportunidade para conquistar novos votos e se diferenciar dos demais candidatos.

Estratégia já usada em outras eleições

A ausência de candidatos favoritos em debates não é novidade. Em 1989, Fernando Collor participou dos principais confrontos apenas no segundo turno. Em 2006, Lula faltou aos debates do primeiro turno, em meio ao escândalo conhecido como “aloprados”, e acabou disputando uma segunda rodada contra Geraldo Alckmin.

Em 2018, Jair Bolsonaro também ficou fora dos debates após sofrer um atentado durante a campanha. Na ocasião, a ausência ocorreu por motivos de saúde.

Neste ano, a decisão de Lula e Flávio segue uma lógica semelhante: evitar riscos quando o eleitorado já demonstra alto grau de convicção.