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Com: Argimiro Rocha

Lockdown vs Reabertura | Economia em Foco por Luiz Resende

14/05/2020 as 10:48


COLUNA 14 DE MAIO DE 2020

O rápido avanço do coronavírus no país tem forçado os estados a rever suas políticas de isolamento social, fazendo com que alguns, como Maranhão e Pará, adotem o bloqueio total, ou lockdown. Será que esta é realmente a melhor política? Porque estamos copiando países que estão fazendo lockdown, mesmo com evidências de que esta política não foi suficiente para conter a propagação e as mortes causadas pelo COVID-19? Porque não copiar exemplos de países como Corea do Sul, Japão, Suécia, Taiwan, que fizeram o combate ao vírus de outra forma sem a paralisação quase que total das atividades econômicas?

Aqui no Brasil temos Estados que combateram o COVID-19 sem o fechamento do comércio. Alguns exemplos: 

No Mato Grosso o governo não determinou o fechamento dos estabelecimentos comerciais. Desde o fim de abril está em vigor um decreto no estado permitindo o funcionamento do comércio, parques públicos estaduais, missas, cultos religiosos. Para poder abrir é necessário cumprir algumas regras sanitárias como uso obrigatório de máscaras, disponibilizar álcool em gel, distanciamento mínimo entre as pessoas de 1,5 metros. Em Cuiabá há um decreto municipal com regras mais rígidas como a abertura dos estabelecimentos de 10 as 16 horas.


No Mato Grosso do Sul, também, o governo não decretou o fechamento do comercio. Apenas fez recomendações para que as pessoas ficassem em casa. Várias cidades fizeram decretos de fechamento do comercio. Na capital, Campo Grande, o comércio considerado não essencial, pode funcionar no horário de 9 as 19 horas, limitado a 30% da capacidade e tomando os devidos cuidados sanitários.
Seria coincidência que estes são os estados com menores casos e menos mortes causadas pelo COVID-19?
Vamos aos números neste dia 11/05/2020:
Mato Grasso do Sul: 362 casos – 11 mortes,
Mato Grosso: 519 casos – 18 mortes.
Fica a pergunta: quem está certo?

Na Itália, pesquisas mostraram que no lockdown mais casos de contaminação foram detectados e que pessoas foram contaminadas em casa.


O governador de Nova York, nos Estados Unidos, também apresentou um surpreendente e preocupante estudo mostrando que 66% da população foi infectada em casa, sem ter praticamente saído de suas casas.


O efeito devastador do lockdown na economia, e consequentemente, nos empregos e na renda, o que trará mais fome e miséria no mundo, não pode ser descartado em nenhum momento. Uma pena que nossos governantes não entendem isso. 

A questão é que o cobertor é curto. Não é possível obrigar pessoas a ficarem em casa sob a mira de uma arma e, a um só tempo, salvá-las da crise econômica provocada por essa decisão apressada e politiqueira. Confinar pessoas em casa e determinar que não devem trabalhar, abrir seus estabelecimentos ou exercer atividades que não sejam essenciais (aliás, quem dita o que é ou não essencial?) é algo que que tem provocado sérias indagações nas pessoas de bom senso, que desejam a liberdade de tomar suas próprias decisões para maximizar a sua satisfação pessoal.


Empresas fechadas não têm receita. Sem receita não há renda para fornecedores, empregados e, até mesmo, para o próprio Estado. Não havendo receitas provenientes de impostos, portanto, vai faltar dinheiro para salvar pessoas acometidas por doenças cujos tratamentos já são dados como certos, vai faltar dinheiro para o combate à criminalidade e não haverá contingente de segurança pública, enfim, que possa proteger toda a população contra saques promovidos por pessoas cujos rendimentos proporcionados pelo livre mercado lhes foram violentamente arrancados.


Luiz Resende para a Rádio 98fm – Teófilo Otoni