
Alunos das escolas mineiras ficaram sem aulas presenciais em decorrência da pandemia da COVID-19. Somente em maio de 2020 é que as aulas remotas começaram através da internet e da TV pública. O município de Teófilo Otoni, na região nordeste do estado, contou nesse período apenas com a interação on-line.
Com a pandemia, estudantes surdos de diversas escolas encontraram obstáculos na aprendizagem.
O senso escolar do Ministério da Educação aponta que no Brasil, em 2016, havia cerca de 21.987 estudantes surdos e 32.121 com deficiência auditiva.
Em Minas Gerais, mais de 1.500 alunos da rede estadual são surdos e 52 estão na microrregião de Teófilo Otoni. Na rede municipal, são 4 alunos.
Famílias se tornam pedagogas
Em Teófilo Otoni, Miguel da Cruz Silva, de 8 anos, está no processo de alfabetização. Ele é surdo e foi diretamente afetado com as aulas remotas na pandemia, como relatou a mãe, Karine da Cruz Silva, em entrevista.
Conforme Karine, a sua residência se transformou em sala de aula. Um local na casa foi criado para os estudos de Miguel, que por ser surdo não é influenciado pelo barulho dos vizinhos.
A mãe também precisou de adaptação. Karine decidiu aprender Libras para melhor se comunicar com o filho e ajudá-lo nos estudos. “Quando você tem um filho com alguma deficiência, você tem que entrar no mundo dele”, relatou.
A maior dificuldade, segundo a mãe, foi na hora de passar o conteúdo do professor para o filho que sempre percebe a insegurança da mãe. “Se eu demonstrasse que eu tinha insegurança, ele sentia. O surdo tem uma sensibilidade diferente de todos nós”, disse Karine.
A importância do educador
Para o pedagogo e especialista em Educação Especial, Jamírio Francino dos Santos Júnior, a forma de educar sofreu adaptações. As atividades foram enviadas a cada 15 dias e há acompanhamento on-line. Depois, a família devolvia as atividades para que o professor avaliasse o desempenho dos alunos. Segundo Jamírio, as atividades da professora Regente eram adaptadas para os alunos especiais.
O educador revelou medos e desafios. “O ensino de uma pessoa surda é viso-motor e contextualizado. Trazer para uma perspectiva conectada é complicado e significativo para o surdo. É um misto de medos e dúvidas, de descobertas. ”
A parceria com a família foi fundamental pois sem a colaboração desta, as atividades escolares não teriam efeito. Na visão dele, após a pandemia os pais estarão mais próximos da escola e dos professores.
| “Na pandemia, os pais assumiram uma postura
de mediadores da aprendizagem”
Qual a diferença de ‘surdos’ para ‘surdos-mudos’?
As pessoas surdas são deficientes auditivos que tiveram perda profunda da audição. Algumas não são mudas e em sua maioria podem emitir sons.
Os surdos apenas não aprenderam a se comunicar oralmente, mas mantém uma comunicação por meio de Libras, a linguagem de sinais.
A UFRJ possui um curso gratuito de libras em seu canal do YouTube.







