30 trabalhadores são resgatados de condições análogas à escravidão em Minas Gerais

11/07/2023 as 12:56

ESCRAVIDÃO ???? | Fiscalização flagrou alojamento sem parede e risco de asfixia em fazenda de café na cidade mineira de Lajinha.

Um grupo de 30 trabalhadores que estava em condições de trabalho análogas à de escravos foi resgatado em uma fazenda no município de Lajinha, Minas Gerais.


A ação foi cumprida pelos Auditores-Fiscais da Secretaria de Inspeção do Trabalho, Polícia Rodoviária Federal, Ministério Público do Trabalho e Defensoria Pública Federal.

De acordo com o Ministério Público do Trabalho de MG, o grupo formado por 29 homens e uma mulher, estava sendo explorado na colheita de café. O resgate foi feito no dia 3 deste mês, durante operação interinstitucional e foi divulgado nesta segunda-feira (10).

Segundo o auditor-fiscal Claudio Secchin, os trabalhadores estavam ocupando seis alojamentos classificados como "precários" pela fiscalização. Em quatro deles, a água disponível para o consumo era retirada diretamente de córregos e transferida para as caixas d'águas com emprego de bombas tipo 'sapo', sem qualquer tipo de tratamento para o consumo humano.

"Nenhum recurso de purificação de água era fornecido, filtros de barro ou purificador; eles também não tinham papel higiênico, cama, colchão, nem roupa de cama", relata o auditor-fiscal Claudio Secchin, que coordenou a operação"; disse.

Ainda de acordo com o auditor-fiscal, risco de asfixia foi detectado em um dos alojamentos, onde os trabalhadores dormiam na cozinha ao lado de um fogão a lenha. "Um alojamento sem paredes expunha os trabalhadores ao frio intenso e ao risco de contato com animais ou pessoas estranhas. Instalações elétricas improvisadas, expunham os trabalhadores a riscos de choques por contato com a rede energizada"; explicou.

Nas frentes de trabalho, os empregadores não disponibilizavam refeitório, nem sequer banheiros, o que obrigava aos trabalhadores a se alimentarem aos pés das árvores de café e fazerem necessidades no mato.


Segundo o procurador do MPT no Espírito Santo, Marcos Mauro Buzato, os trabalhadores foram aliciados em municípios de Alagoas, Bahia e Minas Gerais e só poderiam retornar às cidades após o final da colheita.

"Eles foram contratados pelos filhos do proprietário, por meio de pessoas interpostas, os chamados 'gatos', chegaram em ônibus de empresas de transporte regular de passageiros e em vans, alguns com passagens pagas pelo produtor rural, outros tendo custeado do próprio bolso. A fazenda é reincidente da prática do aliciamento, segundo a equipe de fiscalização"; disse.

Fonte: g1