Preço do café não deve cair nos supermercados do Brasil após tarifaço de Trump

10/04/2025 as 17:47
CAFÉ | Com uma alta acumulada de 66% no preço do café nos últimos 12 meses, os consumidores brasileiros não devem esperar uma redução nos valores do produto a curto prazo, seja em supermercados ou padarias. Apesar da expectativa de queda com o anúncio de novas tarifas pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o cenário global de instabilidade comercial não deve aliviar os preços da bebida no Brasil.

A avaliação é de Márcio Ferreira, presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Nos últimos dias, O TEMPO já havia destacado a preocupação do setor cafeeiro com os impactos das medidas de Trump não só para o Brasil, mas também para outros grandes produtores como Vietnã, Colômbia e Indonésia. Um dos temores é a redução da produção mundial de café.

Segundo Ferreira, a alta nos preços teve origem principalmente na estiagem do ano passado, que afetou não só o Brasil como também outros países produtores. Ele também lembrou que o mercado ainda sente os efeitos das geadas de 2021, especialmente em regiões como o Sul de Minas e Goiás.

“Os eventos climáticos não explicam sozinhos essa escalada nos preços, mas aumentam a volatilidade do mercado”, afirmou. Mesmo diante desse cenário, o Brasil bateu recorde de exportações em 2024, com 50,4 milhões de sacas.

A tendência, segundo Ferreira, é que os preços sigam elevados por mais algum tempo. Isso porque supermercados e indústria ainda não repassaram todo o aumento das cotações internacionais. “O café no varejo ainda está baseado em preços de sacas abaixo de US$ 300, enquanto hoje estão em torno de US$ 340. Precisaríamos de uma queda significativa nas bolsas de Nova York e Londres e no dólar”, explicou.

Quanto à competitividade, a tarifa de 10% aplicada aos produtos brasileiros pelos EUA não deve trazer grande vantagem frente aos 36% cobrados do Vietnã. Segundo Ferreira, o volume exportado pelos vietnamitas para os EUA é pequeno, e a substituição por café brasileiro não deve gerar um ganho expressivo.

No primeiro trimestre de 2025, o Brasil exportou 10,7 milhões de sacas, uma queda de 11,3% em relação ao ano anterior. Por outro lado, a receita subiu 54,3%, totalizando US$ 3,88 bilhões, impulsionada pelas cotações internacionais. Ainda assim, gargalos logísticos continuam sendo um desafio para o setor.

Fonte: O TEMPO / Foto: Pixabay/Reprodução